Professora Zélia Amador de Deus, PRESENTE!

O Sindicato das Trabalhadoras e dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará (Sintepp) manifesta o seu mais profundo pesar pelo falecimento da professora, pesquisadora, artista e ativista social Zélia Amador de Deus, ocorrido nesta terça-feira, 8 de setembro de 2026, em Belém.

A educação e os movimentos sociais da Amazônia perdem uma de suas mentes mais brilhantes e uma de suas vozes mais corajosas. Nascida no Marajó, Zélia transformou sua vivência em reflexão e sua dor em combustível para a mudança.

Como professora emérita da Universidade Federal do Pará (UFPA), ela não apenas ensinou; ela revolucionou as estruturas do ensino superior brasileiro ao ser uma das principais formuladoras e defensoras das políticas de ações afirmativas e da Lei de Cotas.

Sua importância para a luta das mulheres negras no Pará e na Amazônia é imensurável. Zélia foi pioneira ao colocar a intersecção de gênero, raça e a realidade amazônica no centro das pautas nacionais.

Como uma das fundadoras do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (Cedenpa) na década de 1980, ela pavimentou o caminho para a organização do movimento negro na região e para a histórica garantia de direitos e titulação dos territórios quilombolas paraenses.

Zélia Amador de Deus nos ensinou que a sala de aula e as ruas caminham juntas. Ela teceu redes — como Ananse, a aranha mítica de suas pesquisas — ligando a arte, a docência, a política e a ancestralidade.

Ela mostrou a gerações de mulheres negras da nossa região que a Amazônia é preta, é resistente e que nenhum espaço nos pode ser negado.

O Sintepp se solidariza com seus familiares, amigos, alunos e companheiros de militância neste momento de profunda dor.

O corpo de Zélia parte, mas suas sementes já frutificaram.

Assim como o baobá recentemente plantado em sua homenagem, suas raízes na educação e na resistência negra amazônica serão eternas e inabaláveis.

🌟1951 ✝️ 2026

Zélia Amador de Deus PRESENTE, hoje e sempre!

* Seu velório será nesta quarta-feira (9) no Teatro Waldemar Henrique, em Belém.

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