A Escola de Tempo Integral e a alimentação escolar como princípio básico de uma Educação emancipadora

Thiago Barbosa – SINTEPP Estadual

O princípio da Escola de tempo integral proposto no Brasil possui inúmeros desafios que precisam ser enfrentados a superados; pois existe um abismo entre o modelo de educação/escola de tempo integral proposto nacionalmente e o que se implementa nas esferas de governo (estaduais e municipais).

A falta de consciência social que compreenda a sociedade como um todo, acaba acarretando uma série de interpretações equivocadas da forma que estas escolas devem funcionar.

O modelo destas escolas proposto por Gramsci vai muito além da carga horária estendida, devemos, portanto, enxergar essa escola como um instrumento popular que eleve o nível intelectual da classe trabalhadora; abrindo as mentes para ter a capacidade de criticar a realidade visando o exercício da cidadania ativa.

O trabalho deve ser visto como Princípio Educativo, não se tratando meramente de uma capacitação profissional precoce, mas de entender o trabalho como um componente da formação humana, unindo o saber pensar (humanismo) e o saber fazer (técnica).

No Brasil, além dos inúmeros desafios que temos, típicos de um Pais de dimensões continentais e recém liberto de um processo violento de escravização, a falta de sintonia entre os governos dificulta ainda mais a implementação de essência de uma escola de tempo integral tal qual foi projetada nacionalmente.

Um dos elementos presentes nestas escolas é a alimentação escolar, que encontra diversos problemas em todo território nacional. Recentemente o Brasil aumentou o percentual de produtos que devem ter origem nos assentamentos da reforma agrária, nas comunidades tradicionais indígenas, nas comunidades quilombolas, nos grupos formais e informais de mulheres. Sendo assim, é obrigatório que no mínimo 45% destes produtos sejam adquiridos destes seguimentos.

Estes gêneros alimentícios devem, em regra, ter validade superior à metade do período entre fabricação e vencimento, com exceção para produtos in natura da agricultura familiar. A medida estimula a economia rural e garante alimentos mais saudáveis e frescos nas escolas. E a compra é realizada por meio de Chamada Pública, dispensando licitação tradicional, facilitando o acesso dos pequenos produtores.

Na capital do Estado do Pará, Belém, o preparo da alimentação escolar está sendo desvinculada das escolas, a Prefeitura está criando centro de preparos de merenda escolar, centralizando e distribuindo com a falsa ideia de que isso vai melhorar a qualidade.

Na verdade, a frente da prefeitura estão tecnocratas que nada entendem de educação, pessoas que nem ao menos são professores e nunca pisaram no chão de uma escola pública, portanto não tem o olhar sensível as questões locais.

Os princípios de uma escolar popular e comunitária estão sendo atacados com essa medida, pois dentro do ambiente escolar, especialmente nas escolas de tempo integral, que necessitam de uma interlocução diária entre os elementos que o equipamento público proporciona aos estudantes e a comunidade.

Ao invés de centralizar a produção, o Prefeito deveria estimular a criação de hortas comunitárias nas escolas, fomentando nos alunos a consciência de consumir produtos saudáveis e cada vez mais livres de toxinas. Em diversas cidades do Pará, essas hortas já existem, são canteiros de verduras, legumes e outros que servem a própria escolar.

Neste sentido, defendemos uma escola de tempo integral que prepare a juventude para o mundo de trabalho, proporcionando as crianças e jovens todos os componentes humanos necessários para que se construa uma sociedade mais justa e humana.

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