Humanidade: um protocolo contra COVID-19

O mundo, sem perceber, entrou em um período em que por vários motivos históricos (populacional, econômico, comunicativo, científico, políticos e tantos outros) não tem precedentes registrados; desde dezembro de 2019 a população mundial está atormentada por uma questão de saúde com reflexos em todas as demais áreas de nossa vida cotidiana. No Brasil, as “primeiras dores em nossa pele” se fez sentir em meio as festas carnavalescas e as mais otimistas das projeções mostram que no Cívico Aniversário da Independência ainda poderemos estar em dores.

Neste doloroso contexto, o mundo tem no Isolamento Social (ou distanciamento, para quem preferir) o mais eficaz remédio preventivo para cuidar, não apenas das pessoas mas também, por consequência, do Sistema de Saúde (principalmente o público), do futuro da economia, das relações: familiares, comunitárias, religiosas, estudantis, trabalhistas e outras; porém esse remédio não faz efeito sozinho, é necessário seguir o protocolo da receita, é preciso fazer a “dieta” respeitando a risca tanto o que pode e deve ser feito como o que não pode.

Embora tenhamos, enquanto humanidade, um passado milenar; é em registro que está completando o primeiro século (de janeiro de 1918 a dezembro de 1920) que temos as melhores referencias de Acertos e Erros para lidar com a pandemia atual, nem os eventos sanitários recentes deste milênio (SARS/2002 e MERS/2012) nos ensinaram tanto quanto a chamada Gripe Espanhola que tinha o mesmo protocolo de combate, foi igualmente ignorada e/ou negligenciada por muitos gestores e cidadãos, bem com levou ao túmulo um número assustadoramente estratosférico para a população mundial existente. Ao se optar em fazer ouvidos mocos para a Ciência que bradava pela vida, afim de orientar-se pelos sons da economia e bélico, chegando à conclusão que se paga muito alto ao se perder uma vida e dói dos ouvidos até a alma, o clarinete fúnebre.

Mesmo assim, não haverá quem tome o “amargo remédio do Isolamento” se não tiver a garantia de preservar o mais fundamental dos DIREITOS FUNDAMENTAIS que é a vida, para isso não se pode perder de vista a fonte do “pão nosso de cada dia”; não é à toa que por todo o mundo, independente da filosofia política e econômica que orienta cada país e até empresas, que se anuncia a cada dia medidas de amparo financeiro aos governos locais (equivalentes a estados e municípios), as empresas e aos cidadãos, dentre estes, se tenta alcançar principalmente aqueles que em “tempos normais” tem sua existência sistematicamente ignorada.

Nova Ipixuna não está, como nunca esteve, fora do contexto histórico-contemporâneo e neste sentido não pode pegar a direção contraria ao protocolo de tratamento sob pena de comprometer todo o esforço de isolamento já feito e o resultado mais expressivo é a inexistência de registro de COVID-19 no município; no entanto, o comunicado feito em um vídeo de que em função das suspensão das atividades escolares e incerteza de data para a retomada fundamenta a decisão de rescindir contratos de Trabalhadores em Educação de Nova Ipixuna, causa estranheza e temor; não é este o caminho inverso que o mundo (público ou privado) está seguindo e recomendando? Não é esta a hora de sermos muito mais racionais para agirmos com muito e muito mais Humanidade?

Em tempos normais o futuro já é incerto e, como nos ensina a sabedoria popular: “o futuro a Deus pertence”, no entanto precisamos no hoje ter em mente as probabilidades do amanhã; dentro deste contexto, se admitirmos que só teremos condições seguras de retornar as atividades escolares em agosto e isso, do ponto de vista administrativo-econômico e até invocando a probidade com o dinheiro público pode justificar meritosamente a rescisão de contrato de Trabalhadores em Educação; não podemos esquecer que 2020 é um ano de eleições municipais, razão pela qual a partir de 04 de julho a Lei Eleitoral proíbe a contratação e destrato de temporários como forma de evitar que este recurso constitucional seja um instrumento de influência nas “vésperas das eleições”; com isso, poderemos correr o risco de “ganhar no financeiro” e ter “perda total no pedagógico” se, sanitariamente pudermos a partir de agosto voltar às atividades normais, porém não fazê-lo satisfatoriamente por falta de profissionais, que mesmo à disposição, não poderão ser recontratados.

Se já não temos o direito de comprometer a vida de nosso semelhante hoje, é inconcebível agir de forma a pôr em risco o amanhã das futuras gerações; na minha opinião, só preservando a vida preservaremos a economia, só com o Protocolo de Humanidade venceremos a COVID-19.

Nova Ipixuna – PA, 12 de abril de 2020.

*Werventon dos Santos Miranda – Dr. em Educação Matemática pela UFPA.

**Texto feito com a colaboração da Coordenação do SINTEPP e outras pessoas.

Geisi Dias

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