Formação não-docente e ProFuncionários em debate no V Encontro Estadual de Funcionários da Educação do Sintepp

O V Encontro Estadual de Funcionários da Educação, promovido pelo Sintepp, reiniciou neste sábado, 15, no CCNT/UEPA com a mesa “Identidade, Valorização e Protagonismo na Luta de Classe”. O momento contou com palestra da
Representante da CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação) Rosilene Corrêa Lima.

Em seguida houve a mesa “Formação dos Funcionários da Educação (Não Docentes)” com o Professor Dr. João Monlevade, que é Sociólogo, Mestre em Administração Escolar e Doutor em Educação. Foi assessor do Senado na Comissão de Políticas de financiamento para Educação e voluntário no MEC no campo das políticas de formação dos Funcionários da Educação, por meio do Pró-Funcionários. Autor de várias obras sobre essa temática, e tem apoiado o trabalho da CNTE com suas reflexões e estudos, contribuindo com as conquistas dos trabalhadores deste setor.

O professor João comentou da felicidade em participar do Encontro de Funcionários do Sintepp, construído a partir da base. “Eu fico muito feliz e satisfeito com proposta que vocês fizeram de começar a discussão pela base e passaram para os encontros regionais e depois ampliram com o encontro estadual. Parabéns! Até fico contente porque participei do primeiro e do terceiro encontros municipais de Santarém. Na pespectiva de que todos são educadores estes momentos são essenciais”.

O Sociólogo comentou sobre o processo de subalternidade nas relações de trabalho do funcionário de escola e sobre sua dificuldade de acesso a escolarização. “Como a gente estava tentando na nossa palestra a formação dos funcionários deu-se historicamente de uma maneira inversa. Na lógica a gente primeiro se forma, conquista o diploma, depois parte para a carreira. Quando a profissão é pública, através de concurso e mais adiante a carreira. No caso do funcionário aconteceu o contrário. Diante da necessidade dele na escola desde o século XVI eles foram intimados a trabalhar, como falei dos escravos e das escravas escolares, e com isso a gente chegou ao século XX numa situação até vexatória, em que 90% dos funcionários não tinham nem formação e até mesmo nem escolaridade. As vezes a gente chegava em uma escola e ficava sabendo que a merendeira não sabia ler e escrever, mas como cozinhava muito bem estava tudo certo. Na verdade não resolvia, porque ao mesmo tempo que ela alimentava as crianças e jovens, de outro o exemplo dela era negativo, por não era o exemplo de uma pessoa escolarizada e sim de uma pessoa que não conseguiu estudar na vida e além disso isso se refletia no salario e criava uma situação de subalternidade. E muitas vezes você ao chegar na escola a merendeira além de trabalhar de segunda a sábado, no domingo ainda estava na casa da diretora fazendo bolo para o aniversário de sua filha. Então havia uma exploração neste sentido”.

Molevarde comentou ainda os avanços propiciados pelo programa ProFuncionários, do qual fez parte diretamente da elaboração. “Então agora você tem uma oportunidade que foi ampliada pelos governos Lula e Dilma que é o ProFuncionários, do qual eu participei, de ter um programa nacional do MEC para propiciar material didático, tutoria e etc para as secretarias e institutos federais oferecerem esse curso. Mas muita atenção, independente de programa federal que a qualquer hora pode simplesmente ser extinto, nós precisamos convidar as escolas, tanto como funcionários, como professores, que tem o dever e a capacidade de ofertar estes cursos, assim como oferecem os cursos técnicos de administração, informática, agricultura e etc. Esses técnicos represetam 2 milhões de empregos no Brasil e são uma demanda pontencial muito grande”.

O V Encontro Estadual de Funcionários da Educação do Sintepp reuniu nos dias 14 e 15 de fevereiro em Belém mais de 170 pessoas. Foram elaboradas diretrizes desta pauta específica que balizarão a pauta geral dos trabalhadores e trabalhadoras em educação paraenses. Por isso a coordenação estadual do sindicato avalia como vitorioso este espaço de formação sindical e parabeniza a categoria que participou massivamente, inclusive com intervenções e depoimentos riquíssimos.

Geisi Dias

Read Previous

IDENTIDADE, VALORIZAÇÃO E PROTAGONISMO NA LUTA DE CLASSE INSTRUMENTALIZAM OS DEBATES DO V ENCONTRO DE FUNCIONÁRIOS DA EDUCAÇÃO

Read Next

Audiência Pública Situação da Educação Pública em Belém

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *