Carta dos EDUCADORES à Comunidade Eldoradense – GREVE

Em greve na rede municipal desde a semana passada, os (as) trabalhadores (as) em educação de Eldorado dos Carajás, na Região Sul do Estado, estão três meses com salários atrasados e seguem o movimento paredista. Leia abaixo a Carta à comunidade.
 

Carta dos EDUCADORES à Comunidade Eldoradense

A luta por um ensino público de qualidade sempre foi uma bandeira defendida por todos os partidos, principalmente nas épocas que antecedem as eleições. Nesses períodos, nós professores somos lembrados e admirados, com discursos de valorização e reconhecimento, mas que infelizmente não se concretizam, ficam só na promessa, no discurso.

Por isso, os Servidores da Educação estão se organizando em movimentos, que num só coro clama pela EDUCAÇÃO, pela valorização dos profissionais do Ensino e do Saber.

Quando tentamos sair da invisibilidade, indo para as ruas como uma forma de educar e chamar a atenção, somos criticados numa visão preconceituosa, como se estivéssemos lutando apenas por questões salariais. Nossa luta é muito mais ampla! Não fazemos greve para prejudicar os alunos nem as famílias. Greve é uma situação-limite. Ela acontece quando todos nossos esforços de diálogos foram esgotados, sem resultado. É difícil para todos os lados.

Costumamos até ser bem tolerantes. Nossa criatividade e dedicação faz com que superemos muitas dificuldades, porém chega um momento em que é importante mostrar a verdadeira face. Não aquela presente nas propagandas, na visão de nossos governantes, onde tudo funciona maravilhosamente bem!

Esse ano estamos comprando os materiais didáticos para nosso trabalho educativo, por que este governo não tem nos fornecido ao menos o básico. Quantas vezes tivemos que comprar material escolar com nosso próprio salário para dar continuidade ao trabalho e não prejudicar os alunos? Perdemos as contas…

A falta de diálogo, somadas as declarações absurdas por parte da gestão, com o intuito de colocar a população contra aqueles que educam nossos filhos, só alimentam a continuidade da nossa greve.

Os educadores estão indignados com vários pronunciamentos distorcidos, como quando divulgam que nossa GREVE é ilegal e por questões políticas. Agora Lutar por valorização da Educação, merenda nas escolas, salários em dia é fazer GREVE política? Sim é verdade! É Verdade que estamos fazendo uma GREVE política! Estamos fazendo uma GREVE por Políticas Públicas de qualidade na Educação, Política Sindical, Política por valorização da nossa classe de EDUCADORES!

Além disso, muitas das nossas reivindicações não envolvem impacto orçamentário, mas mesmo assim não há negociação, não há boa vontade do governo em querer negociar. Isso revela a falta de compromisso deste governo com a Educação de nossos filhos.

A situação de greve não nos agrada também. O período é de incertezas e medo. Queríamos nós, estarmos trabalhando e recebendo nossos salários em dias, porém a irresponsabilidade desta gestão fez com que nossas remunerações atrasassem, sem salário não conseguimos garantir nossa segurança alimentar!

O governo, ao invés de negociar, se preocupa em coagir os trabalhadores da educação, forçando-os a querer trabalhar sem receber, dizendo que os grevistas serão substituídos por novos contratos, o que significa que ficarão sem salário neste mês. Isso é uma tremenda mentira, na tentativa desesperada de convencer os educadores a voltar às suas atividades.

Do que adianta, nessas horas de impasse, o discurso que escola de qualidade se faz com profissionais não apenas bem remunerados, mas principalmente por profissionais motivados, seguros e com uma estrutura que lhes possibilite transmitir o que lhes foi confiado, ir na contramão de certas atitudes?

Nós profissionais da educação, mais do que ninguém, torcemos para que essa situação termine logo. Provavelmente as aulas perdidas serão repostas, e nenhum aluno será prejudicado.

Estamos empenhados na luta por uma educação pública de qualidade, que forme cidadãos críticos e responsáveis. Para que isso aconteça, precisamos contar com o apoio e respeito de todos.

Para tanto precisamos receber nossos salários em dia, ser respeitados pelo governo, receber uma lotação digna no início do ano através de documento legal, ter condições de trabalho adequadas, ter direito de eleger nossos diretores e vice-diretores, direito de trabalhar com crianças bem alimentadas, e tantas outras condições fundamentais a um bom trabalho docente.

Por isso a GREVE continua! Não vamos desistir jamais!

Leia mais: http://sintepp.org.br/2016/08/sintepp-eldorado-dos-carajas-aprova-greve-e-coordenador-geral-geral-e-ameacado-de-morte/

Geisi Dias

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